20 - Amarula (As Guerras Santas - 4)

Deus ‘tava cansado daquela bagunça.

Afinal, ele havia criado o Eden p'ra ter paz e sossego, imagina só passar a eternidade na boa, tirando um cochilo, puxando um bodinho... era bom demais p'ra ser verdade.

Em verdade, vos digo, o Senhor chegava à conclusão de que a paz celestial só aconteceria se ninguém discordasse.

Então ele decidiu acabar com a guerra.

Criou a árvore da Amarula, mas a colocou do lado de lá das trincheiras.

Micael, é claro, foi tirar satisfações:

-Senhor! Como assim, agora fornecer armamentos p'ros dois lados da guerra?! Não basta eles terem criado estilingues, chicotes, facas de arremeço, toalhas molhadas, espadas, bazucas, socos inglêses e o telemarketing?! Agora vamos ter que aguentar a... –Deus interrompeu.

-Calais a tua boca Micael, observais.

Micael mal podia se conter. Não só por saber o que era aquela árvore e se ela explodia, mas também queria entender o sotaque de português de Portugal que o Senhor havia usado. Deus 'tava na boa, só observando com um meio sorriso no rosto.

Um som estranho começou a surgir de longe. Soava como um rugido, ou um terremoto, talvez... gases? Micael olhou p'ro Senhor, que ainda tinha aquela risadinha meio de lado, e se afastou, dando um passo p'ro lado só p'ra garantir.

Aos poucos começaram a surgir no horizonte elefantes ENORMES, correndo na direção das árvores. Os bichos só queriam comer as deliciosas frutas da amaruleira, mas sem querer espantaram todos os exércitos.

Todos os anjos caídos foram p'ro inferno e os anjos guerreiros estavam livres p'ra voltar a seus afazeres diários.

Samael e Micael poderiam, então, resolver suas diferenças numa conversa franca e civilizada (apesar da civilização não ter sido criada ainda).



Update:



Não tem nada a ver com a estória aqui contada, mas o vídeo é no mínimo gozado.
Indicação da Mônica Munuera, luthier e assessora de imprensa nas horas vagas.

2 comentários:

Erika disse...

Que fim triste dos anjos caídos... esmagados por elefantes... ui!
Coitadinhos...

l-mesquita disse...

eu adoro a inconstância e as mudanças de deus
agora ele é português?