A Paixão de Deus - Final

Ele estava cansado.

Pela primeira vez na eternidade de sua existência, Deus experimentada a sensação de exaustão.

Há quase meio ano Ele procurava por ela, sem sucesso.

De que adiantava saber tudo e estar presente em todos os lugares e tempos, sem saber por quem procurar.

A única coisa que Ele sabia nesse momento, era do desconforto que sentia.

Depois de 186 noites acordado, Ele finalmente conseguia dormir.

No meio da noite ele acordou. Ao levantar p'ra pegar um copo d'água, viu uma canção do lado de fora da cozinha. Era bem tarde, estava tudo escuro lá fora.

-Tem alguém aí? -Ele não conseguia entender as palavras, mas a voz que cantava era linda e suave. Ele insistia:

-Oi? -mas o breu da noite não o deixava vê-la.

Ele não costuma interferir na natureza. Se foi o frio na barriga, o chão gelado, o copo de água na mão cada vez mais pesado ou o cansaço que Ele não suportava mais, mesmo Ele não sabe o que aconteceu.

Mas naquele instante, a noite interminável que Ele vivia, virou dia. Um dia lindo e alaranjado.

Os cabelos dela eram pretos, seus dois pares de mãos eram delicadas como beija-flores e seu vestido desenhava a silhueta de uma deusa hindu.

-Lakshmi...?

Ela sabia quem era Ele, mas continuava a cantar e caminhar. Deus a seguiu, deixando seu copo d´água e o mundo flutuando atrás.

O mundo inteiro parou naquele pôr-do-sol.

Nada foi criado. Nenhuma fruta...

Nada.

Tudo fazia sentido.

Aquele dia durou o mesmo tempo da noite anterior.


(fotografia: paulo galvão)

7 comentários:

Erika disse...

Um final lindo e surpreendente (deus e uma deusa hindu).

PS.: Confesso que fui no google procurar "Lakshmi". :)

Claus Hansen disse...

Na foto tem um link

Ela era a namorada do Deus dos hindus!

poupéezinha disse...

Que cois mais linda.. posso te indicar um txt?

Bowie Macgowan disse...

virou poesia, pronto!
cuidado, rapaz, cuidado...
esse mal (quase) não tem cura. se revirares os nossos arquivos, verás que eu fui acometido de maladia semelhante, ainda quando vivia em terras nipônicas. nada que um sopapo atrás da orelha e uma caixa de cerveja guinness não curasse.

um abraço, isso aqui tá cada vez melhor!

anna carolina disse...

eu fiz uma versão... tá lá no nada profissional. saudades de você.

Claus Hansen disse...

Coragem Hans.

Volta a postar.

l-mesquita disse...

nossa claus

num tinha visto esse...


bom no fim das contas tudo se resume a isso né?